domingo, 12 de dezembro de 2010

The part that you don’t know


Muita gente que convive comigo nunca tem noção de como é a minha vida. Do que exatamente passar no meu dia-a-dia, das minhas dúvidas, das minhas escolhas ou até do meu passado.
Me sinto só ultimamente. Falta dos amigos, falta das pessoas que cresceram comigo. Do afeto. Tenho medo de ficar só. Mas, sei que parte disso pode ser culpa minha, pois, a cada dia que passa, eu venho me afastando cada vez mais das coisas que amo. Lembro-me bem que pelo menos a cada 15 dias, aos domingos, eu passava a tarde no paço alfandega, na livraria Cultura. Amo entrar naquele lugar e senti o cheiro dos livros, de sentar no café e pedir uma das minhas sobremesas favoritas que tem lá, o café vienense. Passar o dia observando as pessoas que entram e sai de lá, ir para a varanda e tirar minhas fotos. Meu local favorito aqui em Recife. Simplesmente, perdi a vontade disso. Mas pode se perguntar, como se perde a vontade de fazer algo que ama? Bom, parte disso eu devo a minha doença, sim, doença. Desde os meus 16 anos eu sofro de depressão, mas o auge dessa doença aconteceu em outubro de 2007, onde tive uma crise terrível e posso dizer que cheguei ao fundo do poço, e o pior de tudo, pensava que não ia conseguir me reerguer. Mas, aos poucos fui me levantando. Consegui um médico fora do comum e que até hoje me acompanha. E uma mulher que me transmite uma paz, e a ela eu devo 50% dessa melhora e os outros ao meu médico. Depois do acontecido em outubro de 2007 eu prometi que nunca mais faria minha família sofrer com as coisas que eu fiz comigo. Fui juntando gradativamente os pedaços da minha vida e me reestruturando aos poucos. Ah, algo que não mencionei, comecei um novo tratamento. Espiritual + medicinal + terapêutico. Para quem não sabe sou espirita. Fora ter que passar por um tratamento espiritual, a acupuntura foi de grande ajuda para tratar a minha enxaqueca, sofri desse mal desde os 13 anos de idade, e o terapêutico foi que além de ter que fazer algumas seções de terapia tive que começar a tomar Prozac, sim, eu uso prozac. Demorei a acreditar que eu tinha atingido esse ponto, mas atingi.
Digo, não foi nada fácil sair disso, foi um luta de quase um ano, ou melhor, ainda continuo nessa luta. Não estou autorizada a parar de tomar o remédio, pois, estou longe de melhorar, minha recuperação está sendo bem gradativa, e, confesso, meu maior medo é ter outra recaída.
Tem dois meses que os sintomas voltaram, e voltaram com força total, fazendo com que eu perdesse o foco pelas minhas coisas, o gosto pela vida e o pior de tudo, o gosto pela minha profissão. Fui orientada a aumentar a dose de 20mg para 30mg, e eu estou esperando começar a fazer efeito.
É, gente, eu sou uma geração prozac. Tomo esse medicamente tão famoso nos E.U.A, e para alguns que não compreendem o que é essa doença, digo-lhes, eu não desejo isso nem pro meu pior inimigo (apesar que eu não tenho nenhum), mas é algo que é inexplicável os sentimentos. Bom, resumindo, você quer se isolar do mundo e fazer que o mundo parece e do nada você só quer sumir do mapa, apagar tudo e não voltar mais.
Essa é uma parte da minha vida que no me orgulho. Eu luto sempre para ser uma pessoa melhor, para ser amada pelo meu namorado, mesmo tendo que esconder certos sentimentos para não assusta-lo, mas mesmo assim torço para ser compreendida por aqueles que não compreendem.
Espero, sinceramente, que tudo de certo e que eu não tenha nenhum tipo de recaída brusca. A pior coisa pra quem tem essa doença, além de não ser compreendido, é a falta de apoio e carinho.
Não estou curada, admito, e ao admitir isso, estou a um passo de buscar minha felicidade sem precisar de qualquer ajuda de medicamentos.

 

Nenhum comentário: