“Fazia um lindo pôr do sol lá fora, era final de tarde e lá estávamos eu e um grupo de pessoas que passava pelos mesmos problemas, e por mais outros diferentes. Reuníamos-nos todas as semanas e nos sentíamos muito bem quando isso acontecia. Como era bom poder ouvir as pessoas relatarem problemas tão semelhantes aos meus. Você se sente menos anormal, menos inadequado, e, aos poucos vai se livrando da incômoda sensação de ser ‘um estranho no ninho’. Fazíamos terapia em grupo.
Eu tinha acabado de desabafar sobre coisas pelas quais havia passado. Foram anos de luta contra uma depressão que insistia em se manter escondida pelos cantos de minha mente, e que me atacava pelas costas, quando pensava que já tinha superado. Quase sempre o que me arrastava novamente para o lodo era a borrada impressão que tinha de mim mesmo: eu era um incompetente, um complexo incapaz. Enrolava-me todo no trabalho. É claro que eu tinha ótimas idéias, mas para executá-las era um horror... vez ou outra, era repreendido. Brigava em casa com a família porque me esquecia de datas importantes ou de coisas cotidianas, como as contas do mês. E lá ia eu arcar com os juros... Parecia que estava sempre fazendo a coisa errada o tempo inteiro. Então, eu sentava e ruminava: ‘Será que vai ser sempre assim? Como posso construir um futuro sólido se levo meu presente a passos trôpegos de bêbado? Não sou capaz de dar segurança a meus próprios filhos...’ E, novamente, entrava em depressão.
Qual não foi minha surpresa e alivio ao descobrir que todo o meu jeito enrolado de ser não era devido a uma incapacidade básica que eu tinha para lidar com a vida, e sim a algo chamado de transtorno do déficit de atenção. E era por isso que ficava tão deprimido, por não saber o que era aquilo, por achar que jamais teria solução. Agora, compartilho minhas experiências também.”
* * *
Esse é um trecho do livro “mentes inquietas”, minha leitura diária, digamos que seja um estudo diário sobre o que eu descobri há 3 meses.
Sou TDAH. Hã, é o que? Eu tenho transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Compartilho isso, como uma forma de explicação, por momentos meio que anormais. Aulas que eu não conseguia prestar atenção, pois tinha algo passando na hora e desviava o foco. Acho que por muitos anos eu fui taxada por professores de colégio e faculdade de “preguiçosa”, “desinteressada”, etc etc. Bom, é essa a explicação. Sei que ninguém dos meus antigos professores vão ler isso, mas desabafei. Eu não era desinteressada por que eu queria, apenas não conseguia manter o foco no que vocês, professores, explicavam na sala de aula. Simples assim. Minha mente estava sempre em outro local, viajando, como muitos falam.
Esse é um trecho que fiz questão de relatar, pois me identifiquei muito.
Está ai uma explicação pelo meu jeito de ser. Não tenho vergonha de ser TDAH, só tenho uma mente que funciona diferente do que os das outras pessoas. E, mesmo com dificuldades em casa, eu não perdi as esperanças de ficar bem, de me tratar e de buscar uma vida mais saúdavel possível pra mim e para quem convive comigo.
É isso. Essa é uma parte de mim que poucos conhecem. Poucos também compreendem. A minha batalha é diária, mas eu sei que eu posso contar com pessoas que estão me apoiando e me ajudando. O que eu mais quero, assim como todo mundo, é estar feliz e ser feliz. Nada de depressão.
Boa semana.
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