Domingo, 10 de julho de 2011. 16h.
Ei, você. É, você. Você mesmo. Você que não sabe o que é ter depressão, que pensa que é besteira. Sabe o que é besteira? Falta de conhecimento.
Me sinto triste. Esse é um dos principais sintomas, assim posso dizer. Sinto que nada está certo e que você, no caso, eu, sou esse erro e que estou no local errado, 99% do meu tempo.
Tem dias que o desejo é dormir e não acordar mais. Tem outros dias que só quero carinho e compreensão. Nada de julgamentos, nada de “você tem que fazer isso ou aquilo”. Nada. Só carinho. Sinto falta de certas palavras.
Uma semana sem tomar antidepressivo me deixou assim, mal. Ou seja, a depressão voltou. Sim, em uma semana. Estou fora de casa, estou em outro ambiente, mas me sinto mal, me sinto triste, me sinto sozinha. Não era pra estar, estou com alguém que eu amo, mas acho que até ele está se tornando distante, ninguém gosta de ficar perto de alguém que está “estranha”. FATO. Ou seria essa minha tristeza me fazendo ver dessa forma? Ó Céus. O pior de tudo é que eu sou estranha. Sempre fui, mas a falta do remédio me deixa mais ainda. Odeio ser estranha. Odeio ser assim. Posso me odiar né?
Ninguém sabe o que é depressão, só quem tem. E te juro, eu não queria ser assim. Num poderia ser normal?! Mas, não. Meu cérebro além de ser diferente dos que convivem comigo, ainda faz com que eu me sinta triste 99% do tempo. É terrível isso. Pior ainda é ter que depender de remédios. Remédios esses caros. Ah, porque estou há uma semana sem tomar a minha medicação? Por causa do dinheiro. Lógico. Esperei “virar” o dia do cartão e quando fui comprar, não tinha na farmácia. Tratamento caro esse viu. Pensei que uma semana não faria tanta diferença, mas faz, ou melhor, fez.
Chorei a tarde inteira hoje. Meu namorado na sala, deitado vendo Tv, e eu fui pro quarto, chorar escondida dele. Mas, qual o motivo do choro? Aparentemente, nada. Mas, no geral, chorei por tudo. Pela tristeza que tinha voltado, por ter que depender de medicamentos para ser uma pessoa normal. Chorei pela solidão que estava me consumindo. Pela incerteza de ter alguém que me ame. Pela falta de atitude. Pela mudança que ainda não veio. Pelo medo. Pela vida. Pela morte. Por tudo.
Ninguém entende ou vai querer entender. É querer muito, estando nesse dia, um pouco de carinho e um pouco de conforto? É querer muito querer escutar “amo você” quando você se sente a maior merda do universo? É querer muito se sentir especial quando você olha no espelho e vê que não tem nada pra oferecer aos demais, só frustrações?
Não queria ter que depender de remédios para me fazer sentir bem. Imagina, ter que tomar uma medicação para poder se concentrar, já que seu cérebro filtra tudo o que não deve, e essa medicação faz com que você filtre as informações e passe a se concentrar um pouco melhor. E imagina ainda ter que tomar uma medicação que faz com que você se sinta bem, não sinta essa tristeza, porque teu cérebro também não consegue fazer isso pra você. É, posso jogar esse fora e pedir um novo? Cansei de depender de medicações para viver. Isso é uma merda. Juro.
Mais merda ainda é fazer com que outras pessoas aturem isso. Num é justo. Pior que certas atitudes não impulsivas, incontroladas. Não é justo com essas pessoas, ou melhor, não é justo com ele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário